ESTRATÉGIAS DE MANEJO NO CONTROLE DE OÍDIO (SPHAEROTHECA FULIGINEA) PARA A CULTURA DA MELANCIA.


  • 20/04/2121

Estratégias de manejo no controle de Oídio (Sphaerotheca fuliginea) para a cultura da melancia.


    O Oídio (Sphaerotheca fuliginea) é uma das principais doenças foliares da família das Cucurbitáceas, está presente em praticamente todas as regiões produtoras. Na melancia, pode atacar toda a parte aérea da planta, mas são as folhas as mais afetadas. É uma doença bastante comum, favorecida por temperaturas elevadas e condições ambientais secas, como em regiões semiáridas (Zitter et al., 1996).


    No início da doença, os sintomas começam com o crescimento micelial branco em pequenas áreas, formadas de estruturas reprodutivas e vegetativas do fungo. A área afetada vai, gradativamente, crescendo de tamanho, podendo tomar toda a área foliar pela coalescência das manchas (Pavan et al., 2016). Plantas atacadas perdem vigor e causam a deformação e o secamento dos ramos, bem como abortamento de frutos jovens e deformações nos frutos mais desenvolvidos, encurtando o período produtivo da planta (Reis, 2007; Santos et al., 2011; Zitter et al., 1996;).


    O patógeno sobrevive de uma estação de cultivo para outra em plantas daninhas, cucurbitáceas e outras plantavas cultiváveis (Kurozawa; Pavan, 1997). O ciclo da doença é bastante curto e em menos de uma semana produz grande quantidade de esporos na lesão, que são facilmente dispersos para formar novas lesões, e assim sucessivamente. Plantios adensados dificultam a incidência solar, aumentando a severidade da doença (Zitter et al., 1996). Os esporos do patógeno são facilmente disseminados pelo vento, e germinam mesmo em ambiente com baixa umidade (Pavan et al., 2016; Terao et al., 2019). Chuvas pesadas prejudicam o desenvolvimento do fungo, porque além de lavarem os esporos, danificam suas estruturas reprodutivas e vegetativas (Pavan et al., 2016).


    As medidas de controle do oídio no cultivo da melancia apresentam maior eficiência quando trabalhadas em conjunto no Manejo Integrado de Doenças. As principais medidas são:


    1. Priorizar o cultivo de materiais tolerantes.


    A utilização de cultivares tolerantes é uma das principais ferramentas para o controle do Oídio. Além de apresentar maior resistência aos danos causados pelo fungo, pode aumentar a janela de aplicação de defensivos (dependendo do estádio da doença). Nesse sentido, a Araguaia em parceria com a Syngenta, conceituada empresa do segmento de sementes de hortaliças, apresenta ao produtor rural uma novidade para a cultura da melancia, Liverpool, um material com alto teto produtivo e maior tolerância ao patógeno. 


    2. Manejo de plantas voluntárias, daninhas e culturas hospedeiras.


    Plantas voluntárias, daninhas e restos culturais são, na entre safra, hospedeiros secundários da doença. Nesses hospedeiros, o patógeno se desenvolve normalmente e continua por dispersar, de forma natural, suas estruturas reprodutivas (esporos) por toda a área. A eliminação dessas plantas e restos culturais se faz necessário na época de cultivo e na entre safra.


    3. Evitar o adensamento.


    O adensamento de plantas causa o sombreamento foliar, reduzindo a eficiência das pulverizações e favorecendo o aumento da pressão da doença.


    4. Evitar plantio escalonado.


    O plantio escalonado dá ao produtor uma melhor gestão dos tratos culturais, por ter toda a área cultivada em um único lugar, e um certo intervalo de tempo para o escoamento da produção, impedindo que toda a área plantada atinja o período de colheita simultaneamente e evitando perdas por maturação. Em contrapartida, facilita a disseminação de pragas e doenças das áreas mais velhas para as mais novas. Podendo favorecer o aumento das populações de pragas e forte pressão de doenças. O ideal seria evitar o escalonamento de cultivo em áreas vizinhas.


    5. Aplicação de fungicidas registrados para a cultura.


    O controle químico é o método mais empregado, devendo ser iniciado ao se constatar os primeiros sintomas. As pulverizações devem ser iniciadas utilizando fungicidas de contato à base de enxofre e mancozeb (ZITTER et al.,1996; SANTOS et al., 2005). Fungicidas à base de Azoxistrobina, Ciproconazol, Clorotalonil, Piraclostrobina, Azoxistrobina + Difenoconazol, Metiram + Piraclostrobina, Tiofanato-metílico, Fluxapiroxade + Piraclostrobina, entre outros, apresentam-se eficientes para controle do Oídio. Ressaltando que a utilização de defensivos agrícolas é permitida por lei apenas em caso de recomendação técnica, realizada por um engenheiro agrônomo habilitado para a função. 


    6.Rotação de culturas.


    A rotação de culturas se faz necessária para a quebra do ciclo de desenvolvimento de pragas e doenças, se fazendo eficiente quando são rotacionadas diferentes espécies de plantas. 


Autor: Júlio César de Lima Veloso - Eng. Agrônomo | AT - DM HF


Bibliografia:

KUROZAWA, C.; PAVAN, M. A. Doenças das cucurbitáceas. In: KIMATI, H.; AMORIM, L.; BERGAMNI FILHO, A.; CAMARGO, L. E. A.; REZENDE, (Ed.). Manual fitopatologia: doenças cultivadas. São Paulo: CERES, 1997. p. 325- 337.

LIMA, M. F. Cultura da melancia. Embrapa. Brasília-DF, 2014.

PAVAN, M. A.; REZENDE, J. A. M.; KRAUSESAKATE, R. Doenças das cucurbitáceas. In: AMORIM, L.; REZENDE, J. A. M.; BERGAMIN FILHO, A.; CAMARGO, L. E. A. (Ed.). Manual de fitopatologia: volume 2: doenças das plantas cultivadas. São Paulo: Ceres, 2016. p. 323-334.

REIS, A. Oídio das Cucurbitáceas. Cominicado Técnico - Embrapa. Brasília-DF. Dezembro, 2007.

SANTOS, G. R. dos; ZAMBOLIM, L.; COSTA, H.; CAFÉ-FILHO, A. D. Doenças fúngicas, bacterianas e abióticas. In: SANTOS, G. R. dos; ZAMBOLIM, L. (Ed.) Tecnologias para produção sustentável da melancia no Brasil. 1 ed. Tocantins: UFT, 2011, v. 1, p. 95-150.

SANTOS, G. R.; ZAMBOLIM, L.; REZENDE, M. A. M.; COSTA, H. Manejo integrado das doenças da melancia. Universo Agrícola. 72p. 2005.

TERAO, D.; NECHET, K. L.; HALFELD-VIEIRA, B. A.; DIAS, R. C. S. Identificação e manejo de doenças fúngicas da melancia. Comunicado Técnico – Embrapa. Jaguariúna-SP. Junho, 2019.

ZITTER, T. A.; HOPKINS, D.L.; THOMAS, C. E. Compendium of cucurbit diseases. St. Paul: APS, 1996. 87.


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